terça-feira, 11 de maio de 2010

Dia do ÍNDIO...Comemorar o que?


Trecho do Texto "Expectativas do Movimento Indígena no Cenário Atual" de Gersem Baniwa
www.abant.org.br/conteudo/.../Expectativas.doc




"Por outro lado, existem evidências suficientes para a afirmação de que no tocante aos direitos indígenas não há nada a comemorar nos últimos quatro anos. O número de terras indígenas regularizadas foi inferior á média dos anos anteriores. Essa diferença aumenta geometricamente se for considerada a extensão total regularizada e o número de Grupos de Trabalho (GT) constituídos para a identificação de terras, os primeiros passos para a instauração do processo de regularização. Além disso, ocorreu um retrocesso no processo de inclusão de novas terras reivindicadas por povos indígenas remanescentes ou “ressurgidos” na lista oficial da FUNAI, resultante da negação de reconhecimento desses povos e consequentemente de seus territórios. Como conseqüência desse quadro, houve ampliação do número e graus de conflito envolvendo lideranças indígenas e invasores de terras indígenas, expressas por meio do aumento de índios assassinados nos últimos anos. No âmbito da saúde, os modelos de Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DISEIs) foram empurrados a um estado de caos generalizado, afetando seriamente a qualidade de saúde e de vida dos povos indígenas constantemente denunciados pela imprensa, tendo como expressão mais forte os casos de morte de crianças indígenas no Mato Grosso do Sul e o caos do Vale do Javari no Amazonas. A causa principal desse caos é a partidarização da gestão da saúde indígena e dos DISEIs. Na educação escolar indígena, se não ocorreu retrocessos tampouco houve mudança substantiva na qualidade dos serviços e das políticas. As escolas continuam com sérios problemas no tocante a infra-estrutura, material didático precário, merenda escolar que não chega às aldeias apesar dos recursos existirem e contratação precária de professores indígenas. O fato mais grave encontra-se na ausência de políticas públicas permanentes com financiamento adequado de ações para melhorar a qualidade da educação escolar indígena principalmente quanto á formação de professores indígenas, expansão urgente e de qualidade do ensino médio nas aldeias e de acesso e permanência de estudantes indígenas no ensino superior. A principal causa desse quadro é o fracasso do prometido regime de colaboração que não funciona e ninguém assume responsabilidade pelos problemas. "
Vamos debater esse tema?

sábado, 24 de abril de 2010

CHEGANÇA



Chegança
Antonio Nóbrega
Composição: Antonio Nóbrega

Sou Pataxó,
sou Xavante e Cariri,
Ianonami, sou Tupi
Guarani, sou Carajá.
Sou Pancararu,
Carijó, Tupinajé,
Potiguar, sou Caeté,
Ful-ni-o, Tupinambá.

Depois que os mares dividiram os continentes
quis ver terras diferentes.
Eu pensei: "vou procurar
um mundo novo,
lá depois do horizonte,
levo a rede balançante
pra no sol me espreguiçar".

eu atraquei
num porto muito seguro,
céu azul, paz e ar puro...
botei as pernas pro ar.
Logo sonhei
que estava no paraíso,
onde nem era preciso
dormir para se sonhar.

Mas de repente
me acordei com a surpresa:
uma esquadra portuguesa
veio na praia atracar.
De grande-nau,
um branco de barba escura,
vestindo uma armadura
me apontou pra me pegar.

E assustado
dei um pulo da rede,
pressenti a fome, a sede,
eu pensei: "vão me acabar".
me levantei de borduna já na mão.
Ai, senti no coração,
o Brasil vai começar.

Aqui na UnB, já são 20 etnias representadas: Atikum,Wapichana,Fulni-Ô, Pataxó,Potiguara,Macuxi,Baré, Karipuna,Jeripankó,Pankará,Munduruku,
Bororo,Kaimbé,Tupinikim,Piratapuia,Xavante,Tukano,Wassu,Katokim,Desana.
Esses guerreiros e guerreiras estão sim, fazendo história. Uma história diferente da que conhecemos, do mundo etnocentrico contruido pelo colonizador.E que é preciso contar publicamente, da verdadeira história dos indígenas: a luta, a generosidade, a resistencia, a alegria, a solidariedade, o jeito de ser, o bem viver, a força,a paciência, a tristeza, o esforço, o canto, a dança, as comidas típicas, o amor aos animais, a tradição, o respito, o sagrado. E além do mais, o compromisso do bem estar coletivo.Porque, como dizia Paulo Freire: Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

Mas qual é a história de cada um desses povos? Onde se localizam suas comunidades de origem, qual a situação de suas terras, quais são suas tradições? Como é a situação da educação, da saúde, do saneamento básico, da moradia, do trabalho? Que caminhos esses estudantes trilharam para estar aqui hoje?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Entrega do Projeto de construção da Maloca




A Maloca é o Projeto de Construção do Centro de Convivência Indígena na UnB. Mais do que uma construção dentro do Campus Darcy Ribeiro, é um projeto de futuro dos estudantes indígenas da Unb, que tem um significado simbólico maior do que marcar a presença indígena na Universidade de Brasília. Será um espaço concreto de se construir novas relações de poder, novas posturas, revitalizar crenças, fortalecer a atitude de respeitar as diferenças, valorizar a diversidade e trocar saberes.

Construção Coletiva do Projeto Maloca



Construção coletiva do Projeto de construção da Maloca - UnB

Video: Estudantes indígenas UnB



Tomara
Alceu Valença
Composição: Alceu Valença - Rubem Valença Filho

Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos separa
Não frutifique, não valha
Tomara, meu Deus

Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos amarra
Só seja amor, malha rara
Tomara, meu Deus

Tomara meu Deus, tomara
E o nosso amor se declara
Muito maior, e não pára em nós

Se as águas da Guanabara
Escorrem na minha cara
Uma nação solidária não pára em nós

Tomara meu Deus, tomara
Uma nação solidária
Sem preconceitos, tomara
Uma nação como nós